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Revisitar a Água do Mar – a Evidência Científica
18-05-2018, 05:21 PM
Resposta: #1
Revisitar a Água do Mar – a Evidência Científica
[Imagem: benef%C3%ADcios-de-beber-%C3%A1gua-do-mar.jpg]

Nota: Este artigo é uma contribuição do Dr. André Casado, Médico Internista.

Frequentemente sou contactado por publicações para fornecer alguns esclarecimentos acerca de temas de saúde. Aproveito sempre, dentro do meu alcance, para tentar fornecer a melhor perspectiva cientifica acerca dos assuntos. Já tentei desmistificar dietas, sumos detox, suplementos alimentares, exposição solar e coisas que nem imaginava que pudessem ser de interesse para o cidadão comum (que pelos vistos se interessa por coisas muito mais extraordinárias do que eu).

Recentemente fui contactado para comentar acerca dos benefícios da ingestão da água do mar. Ofereci a perspectiva cientifica com a veemência e rigor possíveis. Apontei o artigo da Scimed como referência, sabendo que o trabalho jornalístico para o NIT era uma espécie de info-reportagem patrocinada acerca de uma marca portuguesa que comercializa água do mar engarrafada (a 4,6€ por litro!) e que, como tal, as minhas objeções às alegações do fabricante seriam…amaciadas, vamos lá.

Naquilo em que me citaram não mentiram, mas ficou de fora quase tudo o que convenceria o leitor de que os 6,9€ da garrafa de litro e meio seriam melhor empregues em comprar a revista Cais, beber um café e uma água mineral.

Sendo assim, deixo aqui uma versão mais extensa sobre este assunto.

No seu poema épico, de 1798, o poeta inglês Samuel Taylor Coleridge relata as desventuras de uma tripulação de marinheiros amaldiçoada e condenada a sofrer de sede em pleno mar alto (entre outros mui desagradáveis tormentos). Mesmo a morrer de desidratação nenhum marinheiro digno da profissão, no século XVIII ou em qualquer outra época, beberia água do mar.

Há milénios que são bem conhecidos os efeitos fatais da ingestão de água marinha no seu estado natural: vómitos, diarreia, desidratação e – caso se insista – convulsões, coma e morte.

Adiciona-se a estes riscos os potenciais de infeção por bactérias e parasitas, de intoxicação aguda por algas e crónica por produtos de degradação do plástico (esta última com efeitos indeterminados a longo prazo).

Se entra em pânico facilmente quando mergulha e bebe um “pirolito” na praia não leia esta referência!

O que nenhum marujo, nem o poeta, podiam imaginar era que essa mesma água que não lhes podia valer na sua provação, havia de ser promovida ao panteão de panaceias universais no século XXI.

Explicar como as coisas chegaram a este ponto a partir das experiências de Quinton já foi muito bem feito pela Scimed em artigo prévio. Tentarei, sim, explorar melhor o que é isso da “água do mar para beber” e procurar fundamento para as virtudes que lhe são atribuídas.

Não bebas se não és baleia!
Os mamíferos marinhos, em regra, e embora possuam mecanismos para lidar com o excesso de salinidade da água do mar, não a bebem e dependem dos alimentos para hidratação. O processo de eliminação do excesso de sal necessita, das baleias às lontras, de tanta água quanto aquela que foi ingerida. Nessas circunstâncias, portanto, o máximo que os rins de uma baleia conseguem fazer é eliminar tanta água e sal quanto aquela que ingeriram, o que resulta num balanço hidro-salino neutro.

Os mamíferos terrestres não possuem um mecanismo eficiente para eliminar o excesso de sal absorvido quando se bebe água marinha. Simplesmente não conseguimos produzir uma urina tão concentrada em sal como a água do mar que ingerimos.

Perante o aumento da concentração de sódio no plasma, a resposta renal é a de eliminar sódio, o que exige um aumento de produção de urina e leva à perda de água. Assim, a carga excessiva de sal diluída na água marinha que bebemos obriga à eliminação de mais água do organismo do que a que foi ingerida para começar! É esta a razão que leva a um balanço negativo de água no organismo e à desidratação, quando se bebe água salgada.

Mais do que isso, as elevadas concentrações de magnésio (e, eventualmente, de fósforo) na água do mar tem um efeito laxante por reterem água no tubo digestivo. É este, de resto, o mecanismo de ação de muito laxantes comerciais.

Os defensores do consumo humano da água do mar sabem mais do que um marinheiro acerca dela e, como tal, recomendam que seja diluída até concentrações menos tóxicas para um ser humano saudável. Isto corresponde a uma diluição de 1 para 4 da água do mar com água doce. É este o limiar em que a concentração de sais atinge a iso-osmolaridade com o soro humano (ou seja, uma concentração de sais perto de 9 g/l) o que determina que seja tolerável em termos de absorção ainda que às custas de concentrações de sais muito superiores às do plasma.

Portanto, resolvido o problema das concentrações toxicas de sódio mediante a diluição com água doce, resta vestir os calções e ir até à praia encher uns garrafões como certo guru do “anti-aging” ensina, certo? Errado!

Para além de todos os riscos, toxicológicos e biológicos, de consumir água costeira, há um aspeto regularmente omitido pelos defensores da água do mar à mesa: o produto que se promove raras vezes corresponde aquele em que se baseia a pouca evidência cientifica disponível.

Não existe “A” Água do Mar

A distinção principal entre “água do mar” e “água doce”, para qualquer marinheiro do século XVIII e para a minha avó, é a concentração de sais muito superior na primeira. Apesar de ser verdade, há muito para além disso.

Segue-se um diagrama que distingue as águas naquilo que têm de mais diferente: a concentração de sais, principalmente, de cloreto de sódio (NaCl).

[Imagem: aguas-do-mar-diferentes.jpg]

Já se vê que, entre a água doce e a salmoura para pickles, encontramos uma variedade de composições de águas que se distinguem, pela concentração de NaCL e de outros iões, conforme a origem. Por exemplo, a água marinha do Báltico tem uma salinidade ao nível da dos estuários de rios e outras fontes de água salobra (“brackish”).

Apesar das marcadas diferenças, podemos assumir que a água oceânica tem, em media, uma concentração de sais de 35 g/l ao passo que no plasma humano ela é de 3,3 g/L

Mais de 98% do sal na água do mar é NaCl, tal e qual como aquele produto que guardamos num pacote (ou pote de loiça) junto ao fogão. De resto, a composição salina do sal marinho de mesa tradicional é semelhante à da água do mar (a partir da qual é produzido por evaporação da água).

Porque não, então, reconstituir a água do mar adicionando água mineral com concentração equivalente de sal de mesa (ou flor de sal para os gourmand)?!

“A diferença está na composição dos 2% de elementos que não são NaCl!” – dirão os crentes na água do mar… E com toda a razão!!

A diferença entre as águas marinhas em termos de salinização não é apenas quantitativa, mas qualitativa e as proporções de iões dissolvidos variam marcadamente conforme as localizações analisadas.

Algumas águas marinhas são ácidas pela concentração elevada de sulfatos mas, a água oceânica “média” tende a ser mais alcalina do que a água doce por ter maior concentração de bicarbonato (o que ainda lhe acrescenta um nível da “magia alcalinizante” tão em voga).

Mais do que isso – e outra fonte de enorme “poder curativo mágico”- é a extensa variedade de elementos naturais dissolvidos na água oceânica.

Não, não são 118 elementos quimicos! Nem chegam a ser 60 como sugerem outros… Nestas coisas mais vale fiarmo-nos na espectrometria de massa da Universidade de Stanford e dizer que são cerca de 40. Este valor varia conforme as águas e pode ser maior (até 70 elementos químicos) se considerarmos aqueles presentes em quantidades vestigiais de menos de um átomo por garrafa! Um aspeto não despiciente para seguidores da homeopatia.

Grande variedade de minerais e alcalinidade só podem ser coisas boas, certo? Errado!

Em primeiro lugar porque minerais suplementares a uma dieta variada não têm benefício comprovado exceto em condições de patologia específica ou estados carenciais (artigo e artigo) e podem mesmo ser deletérios: o excesso de zinco perturba o metabolismo do cobre, o manganês e ferro em excesso são potencialmente tóxicos e a sobrecarga de iodo pode perturbar a função tiroideia.

Depois porque a maioria dos minerais presentes na água do mar não tem papel conhecido na biologia humana, se de todo presentes no organismo em quantidades mensuráveis (como o cério, rubídio, ítrio…).

Noutros casos os efeitos da sua ingestão em quantidades significativas estão mal definidos ou mesmo reconhecidos como tóxicos (como o alumínio, ouro, lítio, cobalto, bismuto, níquel…).

Outros ainda são claramente tóxicos químicos (como o chumbo, mercúrio, …) ou radioativos (como o radão, césio, tório, urânio, …).

Porque havemos de querer ingerir todos esses elementos que não nos são essenciais e têm potencial de toxicidade? Se não é pela saúde, talvez apenas pela mística de incorporar “todos” os elementos do Universo conhecido?

Para contrabalançar as coisas, e a razão pela qual a composição iónica variada da água do mar não será benéfica nem particularmente prejudicial para a saúde humana, prende-se com as diminutas concentrações da maior parte das substancias ali presentes.

Se colocarmos de parte o Sódio, Cloro, Potássio, Magnésio, Bicarbonato e Sulfato, os restantes iões a água do mar medem-se em dezenas de partes por milhão e alguns em partes por trilião ou quadrilião. Mesmo para notar os efeitos tóxicos do mercúrio e chumbo na água oceânica pura é preciso uma elevada crença em diluições homeopáticas…

Há mais problemas na definição da composição da água do mar, que tornam a sua normalização mais complicada do que se pudesse julgar. Portanto, vou repetir: Não existe “A” água do mar…

…existem múltiplas água marinhas diferentes! Elas diferem na sua composição e grau de contaminação biológica e química, em função de múltiplos fatores geofísicos: localização, mares e correntes dominantes, exposição a radiação UV, proximidade de cursos de água doce, de fontes poluentes, etc.

Resulta que toda a escassa evidência experimental que existe sobre a ingestão de água do mar e que abriu o mercado de engarrafamento e comercialização do alegado elixir, tem sido obtida utilizando água oceânica profunda (vulgarmente chamada de Deep Ocean Water– DOW; Deep Sea Water – DSW).

A DSW é muito diferente da água de superfície e corresponde a água captada em alto mar a, pelo menos, 200 metros de profundidade. Não existe uma definição formal de DSW e nalguns trabalhos experimentais a água oceânica utilizada foi captada a 900 metros de profundidade!

A evidencia cientifica, escassíssima e duvidosa, acerca dos benefícios da ingestão de água do mar resulta, pois, de experiências com uma substância que é, frustrantemente, impossível de obter na rebentação da Costa da Caparica com um garrafão de plástico…

Mesmo a marca de água do mar que chega agora ao mercado português resulta de captações a 40 metros de profundidade, o que significa que, para efeitos científicos, é água da superfície oceânica não estudada experimentalmente.

Para além de não poder alegar as propriedades da DSW também arrisca níveis e contaminação mais elevados. O facto de ser captada “numa zona de reserva natural” não leva em consideração que a poluição flutua nas correntes marinhas sem conhecer fronteiras.

Desapontante, no mínimo…

A evidência… Possível…
Existe mais literatura científica – e muito mais pseudocientífica – sobre a água do mar para consumo humano do que poderíamos imaginar. Isto porque, há já bastantes anos, que a DSW pertence ao leque de tratamentos alternativos e é explorada comercialmente no Extremo Oriente. Uma pesquisa sobre o tema retorna algumas dezenas de artigos, quase todos com origem na Tailândia, Malásia, Japão, China e Coreia do Sul.

A existência de uma boa revisão sistemática da literatura sobre a DSW facilitaria o trabalho de avaliação do volume de evidência para além de compilar, como referências, os estudos individuais incluídos para uma crítica mais detalhada a cada um individualmente.

Felizmente essa revisão sistemática existe e é recente (publicada em 2016)!

Infelizmente é de fraca qualidade na interpretação dos dados, contém múltiplas informações imprecisas (algumas francamente erradas) e conclusões despropositadas mais baseadas na fé do que nos dados. Para além disso está publicada numa revista de “Medicina Complementar e Alternativa” com propensão a publicar pseudociência sobre tratamentos “alternativos” à Medicina (como de resto o nome sugere).

Mesmo com a máxima benevolência, e como revisor de algumas publicações médicas nacionais e internacionais, eu recusaria a publicação deste artigo sem profundas alterações. Para que se entenda o que quero dizer com esta crítica, deixo dois exemplos retirados diretamente do artigo:

1. Afirma-se a preocupação com a adição de compostos de cloro à água tratada das redes públicas, sugerindo que “o cloro não é bom para a saúde”:

[Imagem: inconsistencias-artigo-agua-do-mar.jpg]

Para além de se tratar de uma informação incorreta, os autores falham em reconhecer que o cloro é, de muito longe, o principal elemento presente na água do mar. O que está à vista na tabela que apresentam de composição elementar da DSW:

[Imagem: tabela-elementos-agua-do-mar.jpg]

2. Outra conclusão apresentada, que revela baixo sentido crítico acerca da informação que serviu de base à elaboração do artigo, é a apresentação de uma relação da pobreza mineral das águas de consumo humano e patologia humana, nomeadamente, da infeção VIH/SIDA (!):

“For instance, nutrient deficiency in the land of South Africa was associated with many diseases occurrences such as thyroid, iodine deficiency disorders (IDD), Mseleni Joint Disease (MJD), HIV-AIDS, and Mg insufficiency”.

Esta afirmação está referenciada a um artigo que nada parece ter a ver com o assunto: “Lipid-lowering effect of berberine in human subjects and rats.”

Desta maneira, aproveitam-se as referências aos artigos apresentados para sermos nós mesmos a consultar e avaliá-los. As minhas conclusões são muito menos entusiásticas do que as dos autores para quem os resultados são “impressionantes”:

“…the impressive findings of DSW benefits to health, it is suggested that its utilization should be promoted widely”

Resumo abaixo as conclusões, não tão impressionantes, da análise da evidência disponível.

Água do mar para melhoria do perfil de colesterol
A maioria dos estudos foram feitos em modelos animais. Os que comparam água de superfície marinha com DSW mostram a superioridade da última. O único estudo humano disponível foi conduzido em 42 indivíduos com hipercolesterolemia e comparou DSW com alto conteúdo de magnésio com DSW desmineralizada e com água desmineralizada e fortificada com magnésio. Neste minúsculo estudo foi observada uma descida significativa, embora modesta, no colesterol total e frações (HDL e LDL). Curiosamente, esta descida foi notada nas águas com maior teor de magnésio, havendo, inclusivamente, uma correlação inversa entre níveis de magnésio plasmáticos e colesterol sérico. Os dados parecem apontar para que níveis séricos de magnésio no limite superior do normal sejam os verdadeiros moduladores do metabolismo do colesterol e não, especificamente, o consumo de água do mar.

Proteção cardiovascular, redução da pressão arterial e aterogénese
Infelizmente todos os estudos disponíveis nesta área com DSW foram realizados em modelos animais de patologia cardiovascular. Não existe estudos humanos de que tenha conhecimento. Se não é um rato, um hamster ou um coelho japonês, os dados não se aplicam diretamente a si.

As melhorias observadas em alguns marcadores de doença cardíaca e vascular (relembro que os modelos animais usados são geneticamente modificados para serem portadores de doença, não são estudos de prevenção em animais saudáveis) foram promissoras. Resulta que alguns destes efeitos nos animais já haviam sido obtidos pela suplementação de magnésio em animais e humanos com doença cardiovascular com discreto beneficio. Talvez, portanto, os efeitos se devam ao elevado conteúdo de magnésio e não a facto de ser fornecido na forma de água marinha.

Por outro lado, o elevado conteúdo de sal na dieta está indiscutivelmente ligado ao aumento da mortalidade cardiovascular como é bem conhecido desde há décadas. Se aceitamos a ideia de que deve ser reduzida a ingestão de sal à mesa, o que nos poderá levar a acreditar que quantidade abusiva de sal na água do mar é benéfica?

Adicionalmente o elevado conteúdo de cálcio da DSW pode estar associado a aumento de risco cardiovascular em certas populações com ingestão de cálcio na dieta normal ou elevado.

Proteção contra obesidade e diabetes
Mais uma vez, os estudos disponíveis com a DSW oferecem boas noticias… para ratinhos!

Em modelos de ratos obesos parece haver melhoria do perfil metabólico dos hidratos de carbono e lípidos, melhoria da sensibilidade à insulina em ratos diabéticos e melhoria da composição corporal em ratos obesos. Os mecanismos bioquímicos envolvidos nestes efeitos estão bem descritos, mas o facto de se verificarem em humanos efeitos metabólicos similares em magnitude que seja clinicamente relevante, está a longo caminho de ser provado.

Melhoria na dermatite atópica e eczema
Uma área em que existe evidencia e dois estudos clínicos (um controlado e um não controlado) em cerca de 80 indivíduos japoneses alérgicos.

Sem ter tido acesso aos detalhes do desenho destes dois ensaios, não tirarei conclusões acerca da validade dos resultados para além de alguns aspetos óbvios: os estudos que dependem de “self-reporting” de melhoria sintomática ou de melhoria de sintomas não mensuráveis (ou seja, sensação de prurido, pele seca, dor,…) são altamente influenciados pela crença a eficácia do tratamento e por outros fatores psicológicos; o facto de não se tratarem de estudos com dupla ocultação (o único controlado compara água destilada com água salgada…) diminui a fiabilidade dos resultados. A dimensão minúscula da amostra também não permite resultados robustos extrapoláveis para o universo dos doentes atópicos.

Mais importante do que isso, as doenças atópicas são moduladas por uma imensidão de fatores cujos efeitos se potenciam ou atenuam.

Mesmo as medidas de atividade alérgica mensuráveis (como os níveis séricos de marcadores de alergia), embora significativamente melhoradas no grupo da DSW, não podem ter a sua alteração atribuída à água marinha sem controlo para muitos outros fatores que as modulam e que nem sempre conhecemos (o que nestes estudos não foi feito dado o tipo de desenho e tamanho da amostra).

O simples facto de um doente confiar num novo tratamento anti-alérgico pode ser suficiente para melhorar o seu padrão de alergias. As melhorias esperadas podem transformar-se em verdadeira melhoria apenas por redução do stress associado à doença. Um interessante estudo asiático mostra que, para indivíduos atópicos, jogar jogos de vídeo e a exposição a toques de telemóvel aumenta a incidência e intensidade dos sintomas, bem como os níveis séricos de marcadores de alergia. Aparentemente, há muito na alergia que é modulado pelo stress…

Recuperação da fadiga após exercício intenso
Aqui está uma área promissora para a utilização da DSW.

Um estudo em ratos e um único estudo em 12 humanos (randomizado, controlado em crossover e duplamente cego) mostraram aceleração da recuperação física após um protocolo de exercício intenso. Apesar da amostra ser diminuta, o estudo realizado em atletas mostra o beneficio que já se conhecia da reposição de água e sais minerais após exercício físico intenso. Nos contextos de desidratação em geral, e particularmente no exercício, a reposição e água com minerais em concentrações ligeiramente menores do que as do plasma (soluções hipotónicas) é superior à reposição de água pura. Isto porque o organismo raramente perde água sem perder, com ela, minerais que devem ser repostos.

Nada de novo, portanto, e que não possa ser conseguido por uma solução de re-hidratação comercial.

Efeitos no cancro, doenças hepáticas, osteoporose, cataratas, ulcera péptica
Em qualquer destas áreas mesmo a análise mais generosa da literatura oferece apenas estudos positivos in vitro (no caso do cancro), em modelos animais de doença (no caso das cataratas e doenças hepáticas) e um único estudo em modelos de úlcera duodenal em ratos. Na osteoporose apenas existe um estudo com DSW disponível em ratos e mais um par de estudos in vitro.

Em relação a efeitos negativos na função hepática e renais a evidência apenas resulta de alguns estudos em animais saudáveis e não mostra aumento de risco a estes níveis.

É importante entender que todos os estudos comentados se destinam a testar a plausibilidade biológica de um efeito da DSW nas patologias consideradas e nenhum é transponível para a utilização clinica em humanos. De igual forma os dados que sugerem segurança em modelos animais não garantem a segurança do consumo humano.

As conclusões… possíveis
As águas com sais minerais diluídos salvam vidas em casos graves de diarreia e ajudam à recuperação das perdas hidro-electrolíticas em contexto de exercício físico intenso. Em nenhuma circunstância, contudo, a água do mar é superior, para esse fim, à água doce com adição de pequenas quantidades de sais. As concentrações excessivas de sais e o potencial risco biológico tornam-na uma opção menos segura e eficaz do que a água doce tratada.

Agora imagine que é vitima de um naufrágio e fica à deriva em mar alto. Isolado num barco salva-vidas sem ter o que beber a morte mais certa e rápida sobreviverá por desidratação. Beber a água do mar, por maior que seja a tentação congeminada pela sede, só poderá acelerar o processo.

Contudo, se tiver consigo algumas garrafas de água mineral, e mediante cuidadosa diluição com água marinha, conseguirá atrasar o fatal destino. Ao juntar pequenos volumes (muito pequenos!) de água do mar à água mineral de que dispõe, poderá aumentar em 20% a sua reserva de água para hidratação obtendo, como bónus, os iões perdidos pela transpiração.

Para salvar a vida não está mal, mas para manter e melhorar a saúde?

Nesse caso parece que não! Embora os estudos animais sejam interessantes, falta perceber se são transponíveis para humanos saudáveis, para humanos doentes e se, e principalmente, a razão para os resultados se deve às propriedades específicas da água do mar ou ao facto de com esta se corrigirem défices minerais que estão associados a patologia especifica. Sendo este o caso, corrigi-los com água oceânica captada a 600 metros ou com uma solução balanceada de minerais preparada industrialmente não fará qualquer diferença. Na realidade poderia até ser melhor a segunda opção por garantir uma composição mais fisiológica de sais, adição de substâncias em que a água do mar é pobre (aminoácidos? oligoelementos não minerais?) e fazê-lo com menor custo.

Importa destacar o efeito nefasto do consumo elevado de NaCl em patologias como a Insuficiência Cardíaca, Insuficiência Renal, Hipertensão Arterial e Litíase das Vias Urinárias. Para estes doentes, beber água marinha, sob qualquer forma, representa um elevado risco e nunca pode ser encarado com a ligeireza que os vendedores de tratamentos alternativos tendem a atribuir às suas soluções terapêuticas “naturais”.

Na água do mar engarrafada como em tudo o que é crença de saúde pós-moderna o melhor é temperar as expetativas com bastante cepticismo e evitar “emborcar” as expetativas com o produto sem conhecer os seus efeitos.

Como bem dizem os anglo-saxónicos: “You should take it with a pinch of salt”.

FONTE: https://www.scimed.pt/geral/revisitar-a-agua-do-mar-a-evidencia-cientifica/
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Última Resposta Por: Jahaisa
10-08-2019 01:35 AM
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